Vale do São Francisco na rota dos vinhos de qualidade

Por: Sérgio Queiroz


O Rio São Francisco, tão cantado em verso e prosa, se não realizou a profecia de transformar a sua água em vinho, tem o mérito de ser fundamental para a vitivinicultura na região do vale.


Região impensável para qualquer cultura há alguns anos, o Vale do São Francisco é, hoje, o maior polo exportador de frutas no país e já se destaca como o segundo maior produtor de vinhos, atrás apenas do Rio Grande do Sul e à frente de Estados como Santa Catarina e Paraná.


A produção de vinhos finos está localizada nos Estados da Bahia e de Pernambuco, concentrada no eixo Petrolina-Juazeiro, em particular nos municípios de Casa Nova, Lagoa Grande e Santa Maria da Boa Vista, no chamado Submédio São Francisco.


O trabalho de desenvolvimento da região para a vitivinicultura teve os primeiros ensaios nos anos 1960, sendo que os primeiros vinhos finos só tiveram produção em meados dos anos 1980. Porém só tomou impulso há 20/25 anos, o que no mundo do vinho é algo insignificante se comparado às culturas milenares do Velho Mundo, ou mesmo centenária no Rio Grande do Sul.


Situada entre os paralelos 8º e 9º, a região oferece peculiaridades extremamente diferentes de todas as regiões vitiviníferas do mundo, o que requer muito mais conhecimento do solo, do clima e da adaptação das uvas ao local. Estamos falando do Semiárido baiano-pernambucano, da Caatinga, região de muito sol e pouca chuva – são apenas 400 milímetros de chuva no ano, com 3.100 horas de sol e temperatura média de 26º C.


Esses fatores, porém, abençoam os produtores, que nos vinhedos irrigados com a água do Velho Chico produzem uvas em todos os meses do ano e, assim, administram ciclos de duas colheitas ao ano por áreas definidas, podendo chegar a três.


Os visitantes poderão ver em um mesmo dia parreirais com uvas, outras podadas e outras já em floração. São exatamente essas variáveis que não nos permitem falar em terroir do Vale do São Francisco, pois são tantas as possibilidades já mapeadas nessa jovem região que fica difícil colocar tudo no mesmo cesto.


O segredo desse manejo reside no fato de as plantas estarem sempre em “atividade”, devido à ausência do inverno, sendo que a poda determinará o ciclo de cada lote. Uma curiosidade interessante é que, com a mencionada ausência de inverno, a água de irrigação é cortada para simular a estação fria, quando a planta hiberna.


As áreas experimentais são inúmeras e seguem em busca de novas espécies de uvas, avaliando quais se adaptam melhor à região. Mas, hoje, algumas castas já se destacam, entre as tintas Syrah, Cabernet Sauvignon, Touriga nacional, Alicante Bouschet, Grenache, Mourvedre e Tempranillo, e nas brancas Sauvignon Blanc, Chenin Blanc, Viognier, Arinto, Fernão-Pires, Verdejo e Moscato.


Uma vez que essa ousada aventura superou o desconhecido absoluto, embarcando novas tecnologias e equipes de enólogos e técnicos altamente qualificadas, a resposta começou a chegar. E olhe que quando falamos em superar o desconhecido, isso é apenas uma ponta da verdade, pois no mundo do vinho há sempre o que se conhecer, aprimorar e onde aventurar-se. O fato é que hoje começamos a colher, literalmente, os frutos plantados. Excelentes vinhos, de alta qualidade, com reconhecimento nacional e também internacional, começam a chegar às taças.


O enólogo português Miguel Almeida (da Miolo) aposta que do Vale do São Francisco sairão os melhores Syrah do Brasil. Como também, com certeza, o melhor Tempranillo,  pois o Rio Sol Tempranillo 2017 foi eleito o melhor dessa categoria na Grande Prova Vinhos do Brasil 2019-2020, mesmo resultado do Terranova Brut Rosé da Miolo, que fechou como campeão com um duplo ouro e 92 pontos.


Marco de qualidade celebrado com grandes vinhos


O ano de 2019 coroou esse trabalho com grandes lançamentos, vinhos que quebraram paradigmas e fizeram os mais descrentes repensarem os seus conceitos. Aliás, a melhor arma para os resistentes segue sendo uma boa prova às cegas ou servir à “escura”. Ou seja, servir ao convidado sem dizer do que se trata e depois colher a opinião.


A gigante Rio Sol, vinícola que deve ser orgulho para os nordestinos, com os seus 15 anos de vida e cerca de mil hectares, sendo 120 hectares de área plantada e 10 hectares experimentais, produzindo anualmente cerca de 2 milhões de garrafas, lançou a exclusivíssima e improvável  linha Assinatura, quebrando vários paradigmas, e na taça mostrou a que veio.


O Rio Sol Assinatura Tinto traz um improvável e talvez inédito blend de 40% em Touriga nacional, 20% Cabernet Cauvignon, 20% Syrah e 20% Malbec, com 18 meses em barricas de carvalho francês, sendo 50% barricas novas e 50% de segundo uso, e estágio por mais de seis meses em garrafa. Um vinho complexo, intenso, elegante, mesmo ainda “jovem”, pois não é que estamos falando de um vinho de guarda do São Francisco.


O Espumante Rio Sol Assinatura, um extra brut branco, tem a sua colheita e a seleção de uvas feitas manualmente. No corte, mais novidades: temos Arinto em 60%, Viognier em 10% e Touriga nacional em 30%, mas vinificada em branco. Agora, a surpresa: o espumante passa por 15 meses de autólise e três meses em cave após o engarrafamento, o que proporciona um aroma complexo e distinto volume de boca.


Quem assina os vinhos é o renomado enólogo português Osvaldo Amado, responsável pela enologia da Rio Sol e do Grupo Global Wines, conglomerado de vinícolas portuguesas que no Dão responde por 35% dos vinhos dessa nobre região de Portugal.


Só em 2019 foram mais de 20 prêmios conquistados nos principais e mais respeitados concursos nacionais de vinhos, chancelando a qualidade da marca e posicionando a vinícola entre as melhores do Brasil, destaca a empresa. “Se atualmente o Vale do São Francisco é o segundo polo produtor, tem tudo para estar ‘mano a mano’ em termos de volume com o Rio Grande do Sul, ou mesmo ultrapassar, se considerarmos o pouco tempo na elaboração de vinhos”, destaca o enólogo português Ricardo Henriques, responsável local pela produção da Rio Sol, que já considera os vinhos em condições de serem apresentados em qualquer parte do mundo, devido à qualidade alcançada.


A Miolo, que chegou à região de Casa Nova (BA) em 2001, já sentia a força e a potencialidade do local e, através da sua linha de vinhos Terranova, espalhou o néctar do Nordeste pelo Brasil, encantando a todos com os espumantes e, mais recentemente, com os tintos, como o Testardi Syrah e o Miolo Single Vineyard Syrah. A empresa já produz anualmente nessa unidade 4,5 milhões de litros (2,5 milhões para espumantes e vinhos e 2 milhões para destilados) em 200 hectares de terra.


Mérito também aos pioneiros, como a Boticelli e a Milano, e a outros produtores que se aventuraram nesse mundo de Baco em uma região nunca antes pensada para vinhos, além de órgãos e entidades como a EMBRAPA e a Escola do Vinho, do curso superior de Tecnologia em Viticultura e Enologia, do Instituto Federal do Sertão Pernambucano.


O próximo gol de placa da região deve ser o registro da IP Vale do São Francisco.

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