Uma boa noite de sono pode prevenir o câncer.


Por Dra. Renata Cangussú, Cremeb 15149.


Oncologista Clínica do Núcleo de Prevenção Oncológica do Núcleo da Mama

A melatonina é o hormônio regulador do sono fabricado pelo corpo por uma glândula conhecida como pineal, localizada no centro do nosso cérebro. Sua secreção durante o período de escuridão é controlada pelo relógio circadiano e é responsável pelo ciclo de sono e vigília. Esse ritmo circadiano é um processo do próprio organismo, mas que pode sofrer influência de fatores externos como luz e temperatura.


A melatonina não apenas regula o sono como participa da reparação das nossas células, expostas a estresse, poluição e outros elementos nocivos. A substância é um antioxidante poderoso e combate os radicais livres que agridem o organismo. Além disso, tem uma importante ação da melhora do sistema imune e pode ser um adjuvante importante no enfrentamento do câncer de mama.


Por mais de duas décadas (1989-2013), os cientistas observaram o padrão de sono de 110 mil mulheres, relacionando baixos níveis de melatonina no organismo ao maior risco para o câncer de mama. Estudos epidemiológicos recentes mostraram que as mulheres que trabalham no turno da noite correm um risco maior de câncer de mama, endometrial e colorretal, enquanto os homens que trabalham no turno da noite têm um risco significativamente maior de desenvolver câncer de próstata, provavelmente devido ao aumento da exposição à luz durante a noite.


A melatonina tem capacidade de inibir o crescimento tumoral, além de ser capaz de atenuar efeitos colaterais induzidos pela quimioterapia, melhorando a qualidade de vida e fadiga das pacientes, provavelmente, em consequência da melhor qualidade do sono.


As ações da melatonina na célula tumoral parecem envolver não apenas a capacidade de inibir o crescimento, mas, também, a indução de morte celular. Além disso, o hormônio é considerado uma molécula naturalmente antiangiogênica, ou seja, impede a formação de novos vasos sanguíneos que nutrem o tumor, causando o seu crescimento.


Os estudos realizados até agora têm demonstrado grande potencial para o uso clínico da melatonina em determinadas doenças; no entanto, mais pesquisas devem ser concluídas para estabelecer o papel preciso da melatonina no corpo e sua gama de efeitos na fisiologia e no comportamento das células.


Essa substância já foi copiada e sintetizada pelo homem e está cada vez mais em evidência nas pesquisas e no mercado. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou o hormônio em 2016, no entanto, apenas para ser manipulado e diante de uma prescrição médica.


Mais estudos também são essenciais para definir qual dose e via de administração mais adequada para melhores resultados no organismo. Enquanto não temos essas respostas, o ideal é tentarmos proteger nosso ritmo circadiano, reduzindo exposição à luz no período da noite para que tenhamos uma produção adequada de melatonina e consequentemente todos os seus benefícios. Por isso, evitar a luminosidade de aparelhos eletrônicos, dormir com luzes apagadas e utilizar uma boa cortina para cortar a iluminação das ruas são ações fundamentais para uma noite de sono com qualidade.

Consulte sempre um médico da sua confiança antes de fazer uso dessa ou de qualquer outra substância.

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