Quem tem fé vai a pé!

Atualizado: 8 de Nov de 2019




Por: Claudia Giudice


Aprendi na Bahia que quem tem fé vai a pé. Nunca andei tanto por aí. Fico rodando feito barata tonta. Em casa. Na rua. No trabalho. Ando para pensar. Ando para tentar entender. Ando para não perder a fé que sempre tive e que prezo tanto. Confesso, está resolvendo pouco.


Peço, portanto, desculpas aos otimistas, aos contentes, aos crentes e aos fiéis. Está difícil ter fé no presente, o que dizer do futuro? Longe de brigar com Deus e com meus santos e orixás do coração —Santa Dulce dos pobres, São Francisco, Santa Clara, Santa Rita, Oxalá, Oxum e Oxóssi.


Meu problema não é celestial nem metafísico. Hoje mesmo acendi uma vela em minha Capela em propósito de uma amiga querida, muito amada, que está muito doente e deve partir em breve. Sigo rezando, portanto. A minha fé está de farol baixo quando olho ao redor. Quando vejo, escuto ou leio meus compatriotas, vizinhos e companheiros de raça agindo, professando e se manifestando. Está duro ter fé na humanidade, quando tem gente marcando excursão para conhecer o limite da Terra plana! Como ter fé na raça humana, filha do trabalho de uma semana de Deus, quando tem gente fina, elegante e educada festejando a morte de um semelhante?


Como compartilhar se está impossível dialogar? Já tentou trocar palavras com aqueles que perderam a capacidade de discernir o que é história (aquela com H), o que são fatos, o que é a própria opinião e o que é uma fake news barata? Como seguir tendo fé no futuro da nossa raça se tem gente repetindo, repetindo, repetindo (e postando) que não houve o holocausto e que Hitler era um safado de um comunista?


Como acreditar que meu neto, se um dia vier a nascer, terá o prazer que tive e o direito que tenho de nadar em um mar livre de plástico? Viajei outro dia para a América Central e lá do alto, pela janelinha do avião, assisti apavorada a navegação de milhares de pedaços de plásticos brancos no mar azul celeste do Caribe. Como pode, meu Deus, ainda ter gente achar normal jogar lixo por aí?


Minha fé no futuro e na possibilidade de que um outro mundo é possível ficou ainda mais fraquinha no mês de agosto — o tradicional mês do cachorro louco. Um brasileiro morreu por causa de sarampo no país, a primeira morte por causa da doença neste século, depois de 22 anos. A doença erradicada voltou porque tem gente que acha que não precisa tomar vacina! O mês estava quase chegando no fim e eu caminhando, caminhando e cantando para não perder a fé. Não deu. Depois de uma série de declarações escatológicas e inadequadas, o flagelo da questão ambiental nacional se tornou um problema - e uma vergonha - internacional por causa das queimadas na Amazônia. Socorro, Deus, eu sei que eles não sabem o que fazem e dizem, mas está puxado.

OLHO: Quem tem fé vai a pé. Prometo não parar de andar. Oxalá as coisas e as pessoas melhorem.

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