Por mais olho no olho e boca na boca

Por: Cris Arcuri

Por milhares de anos, a sexualidade tem sido objeto de curiosidade, interesse, medo e enigma para todas as culturas. São muitas as tradições sexuais que são forjadas em torno da vida de um casal ou da maturação em cada gênero.


Em Papua Nova Guiné, país localizado no sudoeste do Oceano Pacífico, por exemplo, as crianças são tiradas do lado de suas mães aos 7 anos de idade. A partir de então, eles têm que viver com os homens adultos de sua comunidade: o objetivo é que eles se tornem “homens”. É uma das tradições sexuais destinadas a evitar a contaminação, com base na ideia de que a mulher é um ser impuro. A passagem das crianças para a idade adulta inclui alguns rituais nos quais a sua pele é perfurada e cortes são feitos no corpo. O objetivo é remover qualquer vestígio de contaminação que permaneceu do contato com as mulheres. Como se isso não bastasse, eles também devem beber o sêmen dos homens mais velhos. Para os nativos de Papua da Nova Guiné não existe a influência da era digital. A tradição é plena.


Já no Brasil, com a evolução da era digital e a cultura do consumismo, a nossa sociedade contemporânea é marcada pela fragilidade, insegurança, ansiedade e depressão. Os relacionamentos amorosos rodeados de áudios enviados por WhatsApp ou pelo Telegram, de fotos compartilhadas pelo direct do Instagram ou dos “nudes” nos mostram uma sociedade calcada em relações descartáveis, em busca de cura através de terapias holísticas, ou da Medicina Integrativa, baseadas no corpo, na mente e no espírito. E por que isso? Porque os vínculos com a tradição foram se perdendo e estão marcados pelo consumo, em que as relações estão como produtos e a promessa de satisfação dos desejos se dá com o mínimo possível de envolvimento e esforço, com uma data de validade.


Tanto o individualismo quanto o consumo exacerbado que circunda na sociedade atual fazem com que haja uma imensa dificuldade de estabelecimento de vínculos mais íntimos entre as pessoas - aquela necessidade de mais olho no olho e boca na boca.


Ao analisar os mais jovens, é evidente que essa influência afeta a forma como eles estão começando a sua vida: com relacionamentos amorosos rápidos, descompromissados, descartáveis e sem a presença de sentimentos.


Cito a frase de Carlos Drummond de Andrade para fazer você refletir mais sobre a nossa sociedade: “A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não tiramos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade”.


Por mais olho no olho e boca na boca, com intensidade e sentimentos.


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