Plantas tradicionais

Por: Aline Hermidia

As plantas mais antigas, com cara da casa da avó, voltaram à moda há algum tempo. Tudo com cheiro e sugestão de aconchego. Reinventar o antigo é uma forma de continuar tradições e criar o conforto do que imaginamos ser a nossa casa, em um sentido mais espiritual. Uma casa que resgata esses elementos da infância ou de déjà-vu ajuda a recriar rituais que nos ancoram no nosso espaço e nos dão o sentimento de familiaridade que o nosso lar deveria nos proporcionar. É uma volta às raízes.

No meu caso, que mudei várias vezes de casa e de país, sempre olhei o meu novo espaço vazio com vontade de reconstruir esse universo nostálgico, cheio de referências às tradições baianas. Enquanto ainda era uma incapaz com as plantas, eu me reencontrava na iluminação, em quadros um tanto tropicais, xilogravuras nordestinas, balangandãs, figurinhas de barro, a de Iemanjá... Até hoje, esses objetos me acompanham como uma espécie de pequeno altar dedicado à minha cultura e à minha identidade.


Depois de me tornar uma boa jardineira, manter essa nostalgia virou algo mais fácil e o meu altar ficou mais amplo e gostoso. Tenho plantas por todos os lados! E como plantas de interior coincidem com muitas espécies tropicais e comuns no Brasil, a minha coleção de plantas chegou muito naturalmente. Pena que já não disponho do mesmo espaço externo e tampouco do nosso clima maravilhoso para perpetuar na varanda um pedacinho vegetal da Bahia. Mas vocês têm o clima e talvez tenham um jardim, uma varanda ou uma sacadinha que poderiam acolher essa homenagem à tradição.


Essa referência ao passado é pessoal e temporal, mas até para os mais jovens seria difícil não se reencontrar em alguns tipos de plantas. Avós modernas também possuem alguns exemplares do que eu considero as plantas nostálgicas que voltaram à moda.


As samambaias, em primeiro lugar, representam esse retorno ao passado. Ainda não tenho um exemplar da chamada samambaia de metro (Polypodium persicifolium)! Essa é tão vintage quanto brasileiríssima e enche o espaço com a sua formosura. Elas não gostam de vento e nem de luz solar direta, mas são relativamente rústicas.


Outra samambaia vintage é o chifre-de-veado (Platycerium bifurcatum). Ela não é originária do Brasil e sim da Oceania, mas seduziu os nossos lares e estava sempre muito presente. O fascínio por essa planta é mais do que justificado pela sua forma exótica, que, para mim, lembra mais algum animal. É também uma planta resistente. Merece os mesmos cuidados que a samambaia de metro.


A Avenca (Adiantum raddianum) é a vegetalização da delicadeza! Suas hastes são pretinhas e parecem enceradas, e as folhas, quase etéreas. Eita! Planta de avó! Elas tinham o bom gosto e o cuidado que essa planta sensível requer. Ela necessita do ponto certo de umidade. Tenho encontrado em hortos alguns tipos de avencas variegatas lindíssimas. Ou seja, podemos inovar!


A Renda Portuguesa (Davallia Fejeensis) é outra samambaia australiana da qual nos apropriamos e até lhe demos um nome muito luso. O xaxim era o seu envase preferido, mas hoje contamos com esses vasos de casca de coco onde elas se sentirão à vontade. Outros vasos também podem ser usados, contanto que lhe seja proporcionada muita matéria orgânica. Umidade e meia-sombra para ela.


Asplênio ou Ninho-de-passarinho (Asplenium nidus), uma samambaia diferente. Seu nome científico sugere a forma de ninho, mas eu acho “ninho” uma palavra singela para esse penacho verde vivo que faz volume em um vaso. Um tipo de Asplênio mais antigo e comum na Bahia tem a ponta das folhas ramificadas, sendo também chamado popularmente de chifre-de-veado. Possui o mesmo verdão bonito!


O substrato indicado para todas essas samambaias é o mesmo. Fica a dica para vocês:

1 medida de areia, 1 medida de terra vegetal, 1 medida de húmus de minhoca, 7 medidas de fibra de coco ou casca de pinus triturada e uma colher de chá de carvão moído. Prontos para encher a casa de samambaias, nostalgia e tradição?


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