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Plantar com fé eu vou






















Por: Adriana Cravo


A mudança climática é palpável, os incêndios de áreas verdes e florestas mais frequentes, imprevisibilidade da meteorologia inquietante… Mais que nunca nos preocupamos com a presença do verde no nosso planeta e nossas vidas. Então nosso verde particular nos oferece consolo, paciência, sensação de controle dentro de um mundo caótico, além de boas vibrações. A fé nas plantas nos ajuda a manter o prumo. A magia vegetal está presente em todos os cultos e civilizações. Na nossa cultura baiana é um assunto onipresente. Quem nunca tomou um banho de folhas para proteção, abre caminho, descarrego? As ervas possuem muito Axé e os pais e mães de santo são verdadeiras enciclopédias de botânica curativa e sagrada.

Eu tenho imensa admiração pela riqueza dessa religião na nossa cultura. Frustrada fico por sempre ter sido relapsa com o conhecimento da mitologia, preceitos e ritos que a caracterizam. Mas por osmose, como boa baiana, sinto que isso me pertence e me define. Ainda que sejamos de outras confissões, como eu, católica, nosso sincretismo religioso nos presenteia com essa diversidade ritual. Por respeito, não tive coragem de escrever sobre o que me encantaria: as plantas de Axé para cada Orixá. O uso das ervas tem muitos mistérios e sabedoria. Da hora apropriada para sua colheita às combinações de espécies para os banhos, sacudimentos, obrigações de cabeça… Ou seja, precisaria “comer muita farinha” para me aventurar nessas águas.

Nada me impede, porém, de listar algumas plantas que, por pura existência num ambiente, já nos proporcionam proteção, entusiasmo, purificação, prosperidade. Além de mencioná-las, tentaria agrupá-las em kits de mesmas necessidades hídricas e de sol. Cada um escolhe a sua maneira de ter o amuleto vegetal, mas acho interessante, por ocupar menos espaço, tê-las em grupos. Mais folclórico e mais eficaz para estimular nossa fé.

Um primeiro vaso com arruda, guiné, manjericão e pimenta. Todas gostam de sol pleno e bastante umidade. Um segundo para usar em entradas ensolaradas com espada de são jorge e alecrim. Por necessitarem de um solo bem drenado e estarem bem ao sol, suportando períodos de estiagem.

E uma comigo-ninguém-pode sozinha para ter num belo pote dentro de casa. Ela não suporta sol direto. Com toda essa proteção, até as pessoas mais “carregadas” ficarão intimidados quando notarem essas presenças poderosas. E nos sentiremos estimulados e mais fortes! Não custa muito, pois todas são plantas fáceis de cultivar.

Da guiné, Petiveria alliacea l, segundo a crença, será melhor conseguir uma mudinha roubada para aumentar o efeito sorte. Coisa fácil, já que ela é considerada invasora. Ou seja, quem tem Guiné no jardim, tem de sobra. Você não cometerá o erro de plantá-la diretamente na terra. Em um vaso esse risco diminui bastante. Ela cria um bem-estar no ambiente por bloquear energias negativas e favorecer as positivas. Sorte, felicidade e aumento da resistência fechando o corpo. Utilíssima!

A arruda, Ruta graveolens, é nossa velha conhecida fedidinha. Já na Idade Média servia como proteção contra bruxaria. Segundo Michelangelo e Da Vinci, seus poderes metafísicos potenciavam a criatividade. E protege contra mau-olhados. Ou seja, se estiver bem cuidada e irrigada e mesmo assim murchar, ela terá feito seu trabalho de escudo.

Manjericão para o corpo, na culinária e para a alma. Acalma a mente, trazendo paz de espírito.

Um pezinho de pimenta não poderia faltar! Combate energias pesadas e de quebra estimula, é afrodisíaca e ajuda no amor.

Espada de são jorge, sansevieria trifasciata, traz prosperidade e corta como a espada do santo, a inveja e o mau olhado. Mas essa já está presente um muitas entradas de casas, apartamentos e empresas. Suportando tanto sol pleno como meia sombra ela é um coringa.

Alecrim, Rosmarinus officinalis, funciona como estimulante para atividades intelectuais. Favorecendo a concentração, o ânimo e a vitalidade. Pediremos dela alguns raminhos emprestados para fazer nossos quitutes na cozinha.

E para completar o amuleto, uma comigo-ninguém-pode (Dieffenbachia amoena). Essa merece um vaso só para ela. Espaço para desenvolver todo o seu potencial. Pode chegar a 1,2 metro de altura. Além de ser a única que não aguenta luz direta. Como o seu nome sugere, ela oferece uma proteção poderosa. Crianças e animais domésticos não devem ingeri-la, pois é bastante tóxica.

Com fé plantaremos e nos sentiremos serenos para seguir em frente protegidos e estimulados por nosso verde particular.