O império contra-ataca

Por: Matheus Pastori


Conforme esta coluna informou na edição no 48 desta Let’s Go Bahia, a Netflix, maior e mais consolidada plataforma de streaming do mundo, tem sentido o efeito do exponencial aumento da concorrência. Estúdios, produtoras e conglomerados de mídia ao redor do planeta têm reivindicado os direitos exclusivos dos seus mais consagrados títulos, retirando-os subitamente do catálogo da empresa. Chegado o fim de 2019, pesquisas de diversos sites especializados apontam as consequências desse movimento.


Para compensar a perda dos conteúdos especialmente de marcas como a Fox, Disney e Warner, em sua grande maioria filmes, a Netflix vem se empenhando na manutenção da cultura de “maratonar” séries originais. Desde fevereiro de 2016, a companhia aumentou em 123% o número de produções nesse formato. São em torno de 36.516 episódios disponíveis – e contando. O gasto para bancar tudo isso é enorme: foram US$ 12 bilhões em 2018 e, segundo estimativas, serão, pelo menos, US$ 15 bilhões até o fim de 2019.


A tendência de queda em filmes ocorre também nos EUA. Um levantamento do Streaming Observer aponta que o catálogo norte-americano detinha 6.494 filmes em março de 2014. Esse número caiu para 4.335 filmes no mesmo período de 2016, reduzindo-se agora novamente para 3.849 títulos – quase a metade da quantidade inicial.


Ainda assim, nos EUA, estima-se que 63% do tempo gasto na Netflix é com conteúdo licenciado como “The Office” e “Friends” — séries que, já se sabe, migrarão para o concorrente HBO Max em 2020. A Netflix também perdeu filmes da Marvel, que agora já podem ser assistidos no Disney+.


Por aqui, o Globoplay vem reinando sozinho. Inclusive, a Rede Bahia, afiliada da Rede Globo no Estado, anunciou no início de dezembro que toda a sua programação agora pode ser acompanhada, ao vivo, pela plataforma. Antes, esse recurso estava restrito às emissoras pertencentes ao Grupo Globo. O Playplus, da RecordTV, até tenta, mas não consegue gerar a mesma simultaneidade esperada de um conteúdo multiplataforma. Além do mais, o serviço apenas funciona normalmente para as atrações nacionais. Os demais programas, mesmo os de cunho jornalístico, têm pouca ou nenhuma expressão no aplicativo.


Voltando ao cenário mundial, a Netflix fecha o ano com o domínio na disputa pelo Globo de Ouro, considerado a prévia do Oscar. Dos dez filmes indicados para melhor produção de drama, comédia e musical, quatro são da plataforma. Destaque para “O Irlandês”, estrelado por nada mais, nada menos do que Al Pacino e Robert de Niro. Além de “Dois Papas”, dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles.


Você acompanha mais sobre cinema nas próximas páginas, com minha colega Gabriela Ponce. Agora, vamos às minhas indicações das principais séries do momento.


NETFLIX


THE CROWN – 3a Temporada


Um dos sucessos que ajudaram a Netflix a brilhar nas indicações do Globo de Ouro de 2019, a terceira temporada da série sobre o reinado de Elisabeth II traz a soberana mais madura e tem um roteiro que acompanha essa austeridade da personagem. Os conflitos com a irmã, a princesa Margareth, explicitam uma personalidade da rainha pouco conhecida pelo público. Com fotografia, figurino e cenografia impecáveis, é fascinante perceber como parecemos estar dentro do Palácio de Buckingham. “The Crown” concorre ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Série Dramática. Imperdível.



YOU – 2a Temporada


Suspense psicológico, “You” conta a história de um stalker, adjetivo em inglês muito difundido no mundo virtual e que classifica pessoas que têm o hábito de perseguir e se tornar obcecadas por figuras notáveis e celebridades, utilizando das ferramentas on-line para se sentirem, de alguma forma, mais próximas desses ídolos. O amor platônico, neste caso, é comum. Mas Joe Goldberg (Penn Badgley) vai além. Com características de psicopatia, desta vez, o jovem transforma em seu alvo a aspirante a chef de cozinha Love Quinn (Victoria Pedretti). Um enredo viciante.


GLOBOPLAY


EU, A VÓ E A BOI


Hilária, a série original do Globoplay é um exemplo bem-sucedido de transmídia, por ser inspirada em uma famosa conversa entre usuários do Twitter. Escrita na rede social por Eduardo Hanzo, a história teve os direitos comprados pela Globo e foi transformada em série por Miguel Falabella, que incrementou a “treta” com novas tramas e personagens. Tudo se apresenta sob a perspectiva de Roblou (Daniel Rangel), um menino que acaba de fazer 18 anos e já perdeu completamente as esperanças de ver as suas avós em paz. Ele é neto de Turandot (Arlette Salles) e de Yolanda (Vera Holtz), duas mulheres que nutrem um ódio recíproco durante gerações.


EVIL – CONTATOS SOBRENATURAIS

Um pouco de terror não faz mal a ninguém. Mas “Evil”, apesar do nome, não chega a dar pesadelos. Produção da CBS comprada com direitos exclusivos pela Globo no Brasil, os episódios estão sendo disponibilizados semanalmente. Trata-se de uma mistura de ciência com religião. Evil traz Katja Herbers (Westworld) como a psicóloga forense Kristen Bouchard e Mike Colter como o padre em treinamento David Acosta, em uma parceria pouco usual. Sem acreditar na opção de possessões demoníacas ou milagres, Kristen começa a duvidar de suas crenças quando encontra situações que apenas intervenções sobrenaturais podem explicar. Vale conferir.


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