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Náutica com Aleixo Belov: o veleiro Fraternidade navegando pela África do Sul


Aleixo Belov Colunista da Let's Go Bahia

Fotos de Leonardo Papini (www.leonardopapini.com.br)

Assim que cheguei à África do Sul, perguntei logo na Durban Marina por meu amigo Gilbert Goor, que conheci em 2001. Depois, ele deu uma volta ao mundo e esteve comigo em Salvador. Por sorte, ele estava lá, morando a bordo do Zazu. Meia hora depois, já estávamos juntos planejando uma viagem pela Savana Africana com passagem pelo Kruger Park. Ele tinha uma Kombi e dois dias depois já estávamos na estrada.


Eu já conhecia aquela região, mas fiquei impressionado com a beleza da paisagem. Montanhas e vales, tudo muito verde, e toda a terra perfeitamente aproveitada para a agricultura; lembrava os campos da Europa. Muita cana, milho, laranja, mamão, nozes e frutas em geral, mas tudo em grande escala. Provavelmente, para exportação.


Quando voltamos pela região montanhosa, encontrei muitas minas para a extração de todo tipo de minério, inclusive os mais nobres como ouro, urânio e diamante. As minas de carvão são intermináveis e, às vezes, a céu aberto, é só cavar e levar. Não deixava dúvida, a África do Sul é uma potência. Possivelmente, o país mais rico e desenvolvido do continente africano. E até Durban parece uma cidade europeia.


O Kruger Park fica a 900 km de Durban, sendo que a sua primeira metade é de terras muito boas para a agricultura, tudo verde. Mas dali em diante começa a Savana, onde as árvores ficam um pouco afastadas umas das outras e cresce um capim que alimenta os elefantes e todo tipo de animais herbívoros.

“A janela de bom tempo foi ótima, parece que a natureza tinha adormecido para deixar a gente passar. Chegamos a Cape Town com o mar liso e vimos o sol nascer e iluminar a Table Mountain”

Os elefantes, muito fortes, andam quebrando as árvores por esporte e as girafas aparam as suas folhas mais novas sem piedade. Fizemos reuniões com crocodilos, hipopótamos, búfalos, impalas, kudu, gnu, zebras, girafas, rinocerontes, cães selvagens, chitas, macacos babuínos, com uma leoa e muitos outros.


Os filhotes de macaco brincavam como humanos. Os elefantes são uma praga, vi bem uns 200 e mais de 100 impalas. Passeavam na beira do caminho tartarugas, galinhas-d’angola e as codornas que nem levantavam voo quando a gente passava.


Passamos quatro dias no Kruger, dormindo cada dia em um camping diferente, mas nem assim vimos tudo, o parque nacional é muito grande. De volta a Durban, comprei mais algumas cartas náuticas e fiz reuniões com vários comandantes experientes sobre a melhor maneira de contornar o Cone Sul da África e chegar a Cape Town.


Todos recomendam esperar por uma janela de bom tempo para começar a viagem, podendo parar em East London, Port Elizabeth ou Mossel Bay, caso uma nova depressão venha ao nosso encontro.


Forte de Mossel Bay

Ali, quando a corrente quente que vem descendo de Moçambique encontra o vento contra, em cima de um banco mais raso em frente ao Cabo das Agulhas ou do Cabo da Boa Esperança, o mar se desespera e cria ondas anormais que podem chegar a 20 metros. Por isso, se uma depressão vem chegando, todos recomendam entrar em um porto a caminho e esperar a depressão passar para só então continuar a viagem.


Saímos de Durban depois que Igor e Ialda chegaram e só precisamos parar em Mossel Bay, cidade linda onde Diogo Cão, Bartolomeu Dias e Vasco da Gama pararam em 1487 para se abastecer de água. No museu, vimos a réplica de sua caravela. Eram bons os navegadores portugueses.


Naquele tempo, não existiam cartas náuticas nem a previsão de tempo e o Cabo da Boa Esperança virava Cabo das Tormentas. Infelizmente, não se fazem mais homens como antes.


Papini e Walter, que fizeram parte da tripulação do Fraternidade, mergulharam em uma gaiola para ver os tubarões-brancos de perto. Chegaram a alisar um deles. A depressão passou e seguimos em frente. A janela de bom tempo foi ótima, parece que a natureza tinha adormecido para deixar a gente passar.


Chegamos a Cape Town com o mar liso e vimos o sol nascer e iluminar a Table Mountain. Não podia pedir mais do que isso. Se melhorasse, estragava. Mas o último sonho não mudou. O sonho é atravessar o Atlântico e chegar em casa. Na chegada, ali no mesmo lugar de onde saí, no segundo Distrito Naval, quem sabe, abraçar todos vocês.