Maria Medeiros: etiqueta e comportamento


Maria Medeiros é colunista da Let's Go Bahia

Maria Medeiros Colunista da Let's Go Bahia


Muitos relacionam a Etiqueta a um conjunto de regras rígidas, em especial, àquelas sobre a arte de bem receber e como se comportar à mesa. A Etiqueta, em sua essência, tem muito mais a ver com a ética do cotidiano do que saber manusear talheres e taças.


A sociedade mudou e as regras de convívio social também. Se comparadas às do início do século XX, percebe-se que elas se tornaram mais fluidas, menos engessadas, permitindo-nos até transgredi-las em alguns casos.


Hoje, o contexto, o sentido de justiça e o bom senso definem o que seria um comportamento social aceitável. Ao meu ver, é desnecessário estabelecer regras, se não houver uma reflexão social e questionamentos sobre o sentido das mesmas.


Construir um jardim social a partir das relações com o outro pode soar muito abstrato, mas, em verdade, essa é a essência da Etiqueta. Recentemente, fui convidada a visitar uma exposição de fotografias de mulheres com deficiências físicas e mobilidade reduzida.


A ideia era retratar a beleza desses corpos que são estereotipados e apagados da estética social vigente, em razão das limitações e imperfeições que apresentam.


Essa exposição me inspirou a inaugurar esta coluna trazendo à reflexão um assunto que é pouco tratado ou mesmo inexistente na literatura relativa à Etiqueta Social e Profissional: o comportamento com relação às pessoas que apresentam deficiência física, sensorial ou cognitiva.


No Brasil, existem mais de 45 milhões de pessoas que declaram possuir algum tipo de deficiência. E elas representam, aproximadamente, 15% da população mundial. Trata-se, portanto, da maior das minorias e não pode ser ignorada.


Onde estão essas pessoas? Em países como o nosso, a maioria delas está em suas casas ou em instituições asilares, apartadas do convívio social comum e corrente.


E por quê? Por vários motivos, e um deles é a acessibilidade. A arquitetura urbana não foi pensada para todos, o que impede ou dificulta o acesso das pessoas com deficiência aos mesmos bens, serviços e experiências sociais e profissionais disponíveis para as pessoas sem deficiência. Mas o principal motivo de isolamento é relacional.


É fato que, em geral, as pessoas não estão tão abertas a conhecer ou mesmo a se relacionar com o diferente. Nossa sociedade, apesar de ser intitulada democrática, não valoriza as diferenças. Diferença não é patologia.


Lamentavelmente, ainda é grande o caminho a percorrer para acabar com o pensamento que nos leva a crer que somos normais porque somos iguais e somos patológicos porque apresentamos algumas diferenças.


Precisamos entender que somos seres equivalentes, mas que alguns possuem limitações ou impedimentos de longo prazo de natureza física, intelectual ou sensorial.


Como seres sociais, acredito que possamos estabelecer parâmetros para uma convivência respeitosa e harmônica, permitir que o nosso jardim social floresça, a partir da semente da inclusão.


Experimente:

1. Informe-se sobre que deficiência a pessoa apresenta. Não há homogeneidade nas diferenças. Cada pessoa é singular.


2. Observe, antes de oferecer ajuda. Melhor se apresentar e perguntar se a pessoa precisa de ajuda. Talvez ela queira exercitar a sua autonomia.

3. Seja solidário, mas não invasivo.


4. Apresente-se como é de costume. Construa um espaço de confiança para que a pessoa se sinta confortável a falar sobre as suas necessidades, se lhe for conveniente.


5. Trate a pessoa com deficiência como equivalente, mas respeite suas limitações.


6. Apresente-se aos que possuem deficiência visual e lhes ofereça o braço para ajudá-los. Descreva o trajeto e se despeça quando for embora.


7. Respeite o tempo que a pessoa com deficiência necessita para realizar as suas atividades.


8. Dirija-se diretamente à pessoa com deficiência, em vez de buscar um intermediário. A deficiência nem sempre as impede de tomar as suas próprias decisões.


9. Use recursos como a língua de sinais, a mímica, e-mail, e outras formas de comunicação escrita ou visual ao se comunicar com pessoas surdas.


10. Respeite o tempo de fala e tente entender o que querem dizer, quando se tratar de pessoa com deficiência cognitiva.


11. Ao conversar com pessoas em cadeira de rodas, coloque-se na altura delas.


Evite:


1. Chamar a pessoa de deficiente. O termo aceito no Brasil é “pessoa com deficiência”.


2. Usar o termo “portador de deficiência”. A deficiência não é um vírus.


3. Subestimar as capacidades da pessoa com deficiência.


4. Insistir em rotular as pessoas; muitas vezes, tais rótulos as inferiorizam.


5. Ignorar a deficiência, pois você ignorará uma característica daquela pessoa. No entanto, lembre-se que a deficiência faz parte da pessoa, mas não a representa em sua totalidade.


6. Chamar de especial a pessoa com deficiência. Elas preferem ser tratadas como equivalentes.


7. Subestimar as capacidades da pessoa com deficiência de compartilhar as mesmas atividades que você.


8. Superprotegê-las.


9. Ter pena.


10. Invadir a privacidade e perguntar o que aconteceu que a levou a ter uma deficiência. Trata-se da esfera íntima.

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