Fé na tecnologia

Atualizado: 8 de Nov de 2019






Por: Ana Carolina Monteiro

O budismo surgiu há aproximadamente dois mil e quinhetos anos, e tem seguidores no mundo todo. O sofrimento atrelado a existência humana, e os ensinamentos para a libertação, são a sua essência. Uma ideia poderosa. Porém, o seu eco está enfraquecendo no Japão. O país apresenta declínio na sua prática e já registra o fechamento anual de milhares de templos.


O templo Kodaiji, na cidade de Kyoto, erguido há mais de 400 anos, decidiu ir além das preces para manter a sua longa vida: apostou em um novo sacerdote, chamado de Mindar – um robô que aconselha os fiéis, reza e responde a perguntas, representando a divindade da compaixão, Kannon, conhecida por manifestar-se sob diferentes formas. Dessa vez, se fez presente em alumínio, silicone e inteligência artificial.


Os monges demandaram o novo companheiro à Universidade de Osaka. O objetivo é atrair os jovens para frequentar o templo – observando que é uma geração que se sente mais confortável com intermediações feitas por máquinas.


Em um momento no qual se discute o impacto da adoção da automação no mercado de trabalho, o Mindar, projetado para ajudar pessoas a aliviar o sofrimento, provoca reações opostas à sua voz suave e gestos respeitosos. No entanto, a rejeição não é de maioria japonesa. Fato que faz lembrar a frase de William Gibson: o futuro já chegou, mas ainda não está bem distribuído.


A remessa de futuro chega com mais rapidez quando endereçado ao Japão. Se o assunto é robótica, pode-se dizer que o futuro começou a chegar em 1924, quando foi acesa a paixão dos japoneses pelos robôs, após serem introduzidos ao assunto pela obra teatral R.U.R. (Rossum’s Universal Robots, do tcheco Karel Capek. A partir da década de sessenta, os robôs se tornaram frequentes no mundo do entretenimento, quase sempre no papel de amigo das pessoas ou herói.


A paixão por essas máquinas, a cada dia mais eficientes e inteligentes, é antiga, mas tem o seu lado prático: o envelhecimento populacional exige soluções para garantir a produtividade. O Japão tem um plano ambicioso documentado na Estratégia Nacional de Robôs: se tornar a grande superpotência dos robôs.


Adoção rápida de avanços tecnológicos a parte, um sacerdote robô não causar grande estranheza entre os japoneses também tem raiz na própria religião. O Budismo não centra o exercício da fé na crença em Deus. O foco é trilhar os caminhos de Buda, seguindo os seus ensinamentos para libertar-se do sofrimento. Adicionalmente, é difundido o respeito a todas as coisas, animadas e inanimadas.

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