Exclusivo: Marcio Cavalcante fala sobre estreia de “Sou Carnaval”

Matheus Pastori de Araujo

Mesmo diretor de “Bahêa Minha Vida“, filme que emocionou gerações de tricolores e até mesmo os que não torcem para o Esquadrão, o diretor Marcio Cavalcante se prepara para apresentar ao público mais um produto cheio de paixão.


Trata-se de “Sou Carnaval”, um documentário dos últimos quatro anos da maior folia de rua do mundo: a nossa. Marcio e equipe entrevistaram mais de 200 participantes do Carnaval de Salvador, entre anônimos e famosos, no intuito de capturar a essência deste orgulho nacional.


O diretor concedeu entrevista exclusiva à Let’s Go Bahia nesta segunda-feira (21), um dia antes da pré-estreia da obra que promete reunir personalidades de peso da folia momesca.


Com distribuição da Paris Filmes, ”Sou Carnaval“ estreia em fevereiro nos cinemas de todo Brasil


Confira o bate-papo na íntegra:


Quais momentos do documentário você pode adiantar para o público? Posso adiantar para o público que no “Sou Carnaval“ existem momentos de identificação entre expectador e a história. Por ser um filme em que o próprio objeto é o protagonista, ou seja, o Carnaval passa ser uma entidade viva e que faz sua autobiografia. Então, é um filme em que o povo se identificará, o baiano se intensificará, pois, o Carnaval é uma festa do povo, feita pelo povo e para o povo. Além de percorremos os períodos históricos do carnaval, o filme faz um mergulho profundo nos últimos 5 anos, com o objetivo de tentar entender essa loucura, “histeria coletiva” que é a festa baiana. Como você vê e descreveria a relação do povo da Bahia com o Carnaval de Salvador? Vejo que é uma relação indissociável, quando um baiano fala que é Carnaval, não é no sentido figurado, é no literal, não dá pra separar uma coisa da outra. Não é apenas um período antes da quaresma, não é apenas uma festa, e sim o estado de espírito. E grande parte da nosso povo da Bahia tem esse espírito carnavalesco, está na ginga, na mistura, na religião, na forma de fala, dançar e de ser feliz.

Salvador foi a única cidade brasileira a ser indicada pelo NY Times como um dos 52 lugares para se visitar no mundo. Qual influência acredita que o Carnaval tem nisso? Acredito que estamos entrando num momento especial para o nosso Estado e principalmente para Salvador. Essa indicação é um reconhecimento por todo nosso potencial. Uma terra com muita história, cultura própria, rica na culinária, incrível na música, e com uma festa popular e de rua inigualável. O Carnaval tem sua parcela de contribuição sim para essa indicação. Precisamos cada vez mais aproveitar essa tendência para consolidar uma imagem cada vez mais positiva. Você acompanhou quatro anos de nosso Carnaval. Quais as principais mudanças que acreditar que vale destacar? O Carnaval está em uma fase de transição. Alguns falam em morte. Isso não existe, pois enquanto existir povo, existirá alegria, e o Carnaval é isso. O que está acontecendo é o fim de um modelo que perdurou durante três décadas, e que de forma natural está abrindo espaço para outras formas. Como um processo cíclico, acredito que a festa está aproximando novamente as classes, a pipoca é uma forma clara dessa aproximação. Um retorno as raízes está acontecendo e isso é bom para voltarmos para o nosso centro. Nada deixará de existir eu acredito, mas muitas outras possibilidades irão coexistir. Um novo Carnaval está nascendo. Como foi a experiência de dirigir a logística de um documentário dentro de uma festa desta proporção?

Fazer um filme nesse universo é muito bom, confesso. O nosso objetivo era estar o máximo invisível possível. O exercício maior era fugir do olhar tradicional, em que é atraído por dois imãs enormes, o trio e o grandes artistas. Enquanto todas as câmeras e olhares voltavam-se para os trios e artistas, as nossas câmeras apontavam para o outro lado em busca do carnaval real. Filmar na festa foi um trabalho árduo, mas muito prazeroso, afinal é possível sim trabalhar e se divertir. O público da Bahia ainda prestigia pouco os produtos que falam de nossa terra. Comente sobre isso e aproveite para convidá-los a assistir “Sou Carnaval” Muitos produtos nossos, no meio audiovisual, não consegue chegar no circuito comercial. Acredito que o público baiano tem interesse por consumir coisas da nossa terra. Exemplo claro, foi o meu primeiro longa o Bahêa Minha Vida, em que o nosso povo abraçou a película e encheu as salas de cinema. O filme Axé teve bons resultados nos nossos cinemas e o Sou Carnaval chega para trazer a nossa história de carnaval para as telas de cinema. Isso me motivou muito para a realização do filme, a possibilidade de registrar e mostrar o nosso jeito de ser, que é tão especial. Todos nós gostamos de nos ver, e o Sou Carnaval é isso também, um espelho do que somos. Por isso convido a todos a conferirem a nossa própria história.

Av. Professor Magalhaes Neto, 1856, sala 603, Caminho das Árvores, Salvador Bahia.

CEP: 41810-011

Telefone:  +55 71 ‭3042-2440 

Nossos Contatos:            comercial@letsgobahia.com.br            financeiro@letsgobahia.com.br               redacao@letsgobahia.com.br 

  • Branco Facebook Ícone

©2019 V2M Editora Ltda.

Timbrado-Baseforte.png