Espiritualidade e negócios podem coexistir?



Por Djalma Falcão

Economista e Mestre em Família na Sociedade Contemporânea

Necessário se torna, logo de início, salientar que não se trata aqui de Religião, mas sim de Religiosidade ou, melhor, de Espiritualidade. Religião é um conjunto de princípios, crenças, dogmas e práticas de doutrinas religiosas buscadas em tradições – orais e/ou escritas – que unem seus seguidores numa mesma comunidade. De modo geral, hierarquizada, pouco tolerante com opiniões divergentes e cultiva com fervor os seus ritos. Espiritualidade, por outro lado, “é a nossa consciência interior. É a fonte de inspiração, criatividade e sabedoria. O que é espiritual vem de dentro e transcende nossas crenças.” (Guillory).


Na história do desenvolvimento humano, reconhece-se o quanto foi lento e profundo o despertar da Razão e, com esta, o pleno desabrochar das suas potencialidades ao longo de uma evolução que parece não ter fim. Da matéria mais primitiva evolui, num processo contínuo, para uma realidade cada vez mais complexa e rica. Os séculos recentes são a prova de um sempre devir sem limites. É justamente neste instante histórico que se instala uma inexorável insatisfação que leva o homem à procura de algo mais profundo e mais além. E a imanência própria da sua natureza se inquieta e se interroga na busca – agora – do Absoluto. Vai, inapelavelmente, ao encontro do incognoscível, inalcançável, mas que sente, no seu íntimo, que dele precisa. Para sintetizar: exatamente aí que o homem se torna não mais só racional, mas inteiramente entregue ao encontro do Infinito. E é esta a Espiritualidade do ser humano. Fenômeno conatural e imprescindível à sua completude. Como ensina Teilhard de Chardin: “acima da grandeza reencontrada do Homem, acima da grandeza descoberta da Humanidade, de forma alguma violando, mas salvando a integridade da Ciência, reaparece em nosso universo mais moderno, o rosto de Deus”.


Tem-se assim que a espiritualidade transcende dados e informações e, indo à raiz da experiência, provoca um amadurecimento levando a uma compreensão mais perfeita da vida.


Isto posto, não há dúvida que as organizações não podem ignorar esta força que existe em seus colaboradores, fornecedores e clientes. Não se trata de criar espaços alternativos para meditação ou promover orações entre os funcionários. Isto pode até ser contraproducente. Espiritualidade nos negócios tem a ver com a visão humanitária e responsável que deve andar junto com as expectativas dos resultados. As pessoas que comandam devem compreender a importância de desenvolverem ações sustentáveis, em consonância com as aspirações e necessidades das comunidades que as sustentam.


A espiritualidade nos negócios é uma nova visão (aliás, não tão nova assim) de um novo comportamento que busque, sobretudo, uma qualidade de vida baseada na ética e nos valores espirituais. Como diz Pedro Alves dos Santos: “a Empresa que vive a era da espiritualidade é a que se antecipa ao futuro”.


Este artigo não atingiria seu objetivo se se cingisse à mera e rápida exposição da importância da espiritualidade sem alguma contribuição de ordem prática. Assim, deseja-se salientar que a espiritualidade nas organizações está representada pelas oportunidades para realizar um trabalho com real significado no contexto da comunidade onde estão instaladas. Há que se identificar, assim, um sentido de alegria e respeito pela vida interior de todos os seus colaboradores onde normas e regulamentos facilitem um sentido de integração e conexão com os outros, de modo a proporcionar sentimento de plenitude, de realizar o desejo natural de encontrar o propósito último da vida e viver de acordo com ele. Enfim trabalhar, produzir sem jamais perder a percepção de que o encontro com o Absoluto – essência e coroamento da transcendência do homem – é, essencialmente, aprender, compreender, aceitar e viver totalmente a ideia de que somos muito mais que nosso corpo, nossas crenças, nossos conhecimentos, nossa experiência. Sabemos todos: negócios são feitos por pessoas e têm suas marcas, mas acima disto está o fim último que não se pode minimizar ou até mesmo questionar: os valores espirituais e a vida dos negócios são sinergéticos.


Nada melhor para concluir que uma síntese maravilhosa do Pe. Charbonneau em seu livro O Homem à Procura de Deus: “É à sombra do Infinito que a razão se iluminou e à sombra do Absoluto que a consciência floresceu”.


ASPAS: “Se me sinto tentado a não falar mais de Deus aos outros é, talvez, porque Dele não falo mais a mim mesmo” (François Varillon)

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