Especial Ribeira: do sorvete ao dominó

Matheus Pastori de Araujo da Let's Go Bahia


O bairro é um dos destinos mais emblemáticos para turistas e soteropolitanos - (Foto: Ag. Haack)

Esta edição do Especial Bairros começa ao som de Gilberto Gil, o mestre do movimento tropicalista que ajudou a levar a Bahia para o mundo. Em “Domingo no Parque”, canção de 1967, Gil discorre sobre a rotina do fim de semana de Juliana, José e João, que, diferente da Let's Go Bahia, não foram à Ribeira jogar.


O leitor, naturalmente, observou que a capa da 46ª edição da Revista Let's Go Bahia é dedicada à famosa sorveteria do bairro cercado pelas águas. Neste espaço, exploraremos um pouco mais da história deste que é um dos destinos mais emblemáticos para turistas e soteropolitanos.


Ligado ao restante da Cidade Baixa de Salvador pelas ruas popularmente apelidadas de Caminho de Areia, é justamente o mar – os seus frutos e variações – que dá o tom de tudo o que se trata da Ribeira. É ele que nos recepciona e nos acompanha ao longo de toda a Costa da Península de Itapagipe, um dos pontos mais sinuosos da primeira capital do Brasil.


Abençoada à beira da praia pela Igreja de Nossa Senhora da Penha, datada de 1742, e sem sinais explícitos da chegada da globalização, quem sai do centro econômico moderno de Salvador em direção à Ribeira demora a raciocinar de que se trata da mesma cidade.

O surgimento da Ribeira não tem data precisada nem mesmo pelos historiadores mais dedicados - (Foto: Ag. Haack)

Livres pelas ruas, meninos correm de calções de banho e senhores de idade, nascidos e criados ali, assistem à juventude bucólica enquanto trocam peças de dominó nos bancos de praça.


“Moro na Ribeira desde que nasci. A Ribeira representa, praticamente, todo este Itapagipe. É a imagem que as pessoas têm no imaginário popular do que é a Península. A Ribeira é muito mais do que a ribeira. Quando se visita o bairro, a gente observa o seguinte: é como se você estivesse na capital, mas em um interior dentro da capital”, diz Jorge Garrido, professor de História.


"Livres pelas ruas, meninos correm de calções de banho e senhores de idade, nascidos e criados ali, assistem à juventude bucólica"

As particularidades do lugar vêm do seu próprio surgimento, que não tem data precisada nem mesmo pelos historiadores mais dedicados. O que é certo é de que a Ribeira – como muitos dos bairros litorâneos de nossa cidade – foi, a princípio, uma grande colônia de pesca devido à sua localização privilegiada, ao nível da Baía de Todos-os-Santos.


Pela mesma razão, donos de embarcações se uniram e formaram a que hoje é conhecida como Marina da Ribeira, que, antes, chegou até mesmo a abrigar um hidroporto por iniciativa de norte-americanos residentes em Salvador.


Com o crescimento populacional e a ascensão do bairro como área nobre da cidade, passou-se, então, a ver a Ribeira como uma região potencial para os negócios - (Foto: Ag. Haack)

A missão era servir como base para aviões que faziam o patrulhamento da costa baiana. Até o então presidente da República Getúlio Vargas desembarcou no Hidroporto da Ribeira, em 1939, por ocasião de comemoração à descoberta do primeiro poço de petróleo do Brasil, no bairro do Lobato.


Assim, o mar e os seus encantos atraíram mais e mais famílias de classe alta por décadas, as quais, como herança, deixaram imponentes casarões que ostentam o preciosismo da arquitetura colonial, com as suas fachadas repletas de elementos que remetem aos movimentos Clássico e Renascentista, vindos juntos aos costumes das expedições portuguesas que lá primeiro estiveram.


Com o crescimento populacional e a ascensão do bairro como área nobre da cidade, passou-se, então, a ver a Ribeira como uma região potencial para os negócios. Com isto, surgiram os quase centenários bares, restaurantes e, é claro, a sorveteria que dispensa apresentações.


“Um domingo na Ribeira é um domingo diferente de todo o restante de Salvador. É um domingo em que as pessoas ainda saem para se movimentar, para azarar; a meninada ainda está por aquelas praias. Isso marca quem nasceu ou mesmo quem viveu por um curto período de tempo ali, porque a forma de viver, de falar e de pensar é diferenciada. É muito curioso”, conclui o professor.


É com o sorvete na mão e diante de um lindo pôr-do-sol que damos um até logo à Ribeira. Um bairro que não é bairro tão somente, mas uma extensão da casa de quem por ali habita e de quem por ali preserva, com muito carinho e baianidade, a alma de aconchego e um dos recantos desta quarta maior metrópole brasileira.

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