Especial Business: Renata Mota



A relação de Renata Mota com a cenografia começou durante o processo de graduação em Arquitetura, nos anos 2000. Os caminhos formais oferecidos pela universidade e pelo mercado não a deixavam satisfeita e, em paralelo, havia o amor (não realizado) pela dança. Então, a cenografia surgiu como um caminho na resolução desse conflito. Segundo Renata, foram idas e vindas, altos e baixos, mas muitas surpresas e realizações. Ela pontua que foi a cenografia que a descobriu e quando ela pensa em desistir, a cenografia se encarrega de seduzi-la e conquistá-la novamente.


“Acredito que a minha principal conquista é conseguir sobreviver da cultura em um país onde de 80% a 90% da população nunca foi a um museu. Tive a oportunidade de trabalhar com artistas incríveis: Saulo Fernandes, Carlinhos Brown, Margareth Menezes, Luiz Caldas, Péricles; diretores como Fernando Guerreiro, Elísio Lopes Jr., Lázaro Ramos, Jarbas Bittencourt e Pazzeto Jr.; assim como também tive a oportunidade de participar de projetos que ressignificaram a minha identidade como mulher: o concurso da Noite da Beleza Negra, do Ilê Aiyê (2014 a 2020); o Mulher com a Palavra (2018 e 2019); e, recentemente, a Casa Respeita as Mina. Fora isso, tive a honra de contribuir durante seis anos para o estímulo à leitura infantil no nosso país, através de instalações ceno - gráficas na Festa Literária Internacional de Cachoeira (FLICA)”, destaca.


Com relação ao período de crise nos últimos anos, Renata destaca que por ter vindo do teatro e da dança, onde a natureza do ofício é ressignificar a matéria, e o “fazer” por si só é mais elaborado e mais contextualizado, esse exercício não é novo para o meio.


“Nosso crescimento e sobrevivência diante da crise foi trazer a forma específica de conceituar, de construir identidades e transformar espaços em um momento em que a sociedade estava pedindo autenticidade, inovação e sustentabilidade. Ou seja, todo o nosso exercício da ressignificação e da reciclagem como ferramentas de conceito tem sido validado. Esse exercício é o que mais me encanta na cenografia: ter a possibilidade de transformar lixo em ouro, de uma forma sofisticada. Trazer conteúdo a um elemento cenográfico, uma árvore que poderia ser representada realisticamente (esculpida em isopor, papietada, pintada etc.), ser de tsurus (tipo de origami) feitos de livros inutilizados. São camadas de conteúdo que vão enriquecendo o projeto e a experiência do outro. Para mim, cenário é poesia. Não faz sentido se não tiver poesia. Diversos foram os projetos cuja concepção apresentada pela cenografia foi absorvida e exposta com um conceito do projeto artístico geral”, frisa.


Falando sobre o futuro, enquanto empresa, a cenógrafa destaca que ainda tem muito que aprender no contexto do empreendedorismo. “Somos uma empresa de cenografia cujo produto não é varejo. Ele tem identidade e é construído para um projeto específico. Nossa área de atuação é bastante restrita, porém, por ser autêntico, o nosso produto tem se fortalecido e chamado a atenção de cada vez mais consumidores. Mesmo assim, ainda estamos engatinhando. Em relação ao perfil do nosso trabalho, acho que precisamos fortalecer ainda mais a nossa identidade, potencializar a atitude sustentável, o que já tem sido um selo nos nossos projetos. Não dá mais para viver sem pensar qual o destino do nosso lixo, qual a consequência das nossas ações, então, uma das nossas metas é dominar esses processos mais profundamente e nos apropriarmos tecnicamente, além de usar nossos projetos como uma forma de chamar a atenção ao consumo do planeta”, salienta.


Em 2017, a empresa fez um mar surrealista para o documentário “Outro Lado da Memória”, de André Luiz Oliveira, 500 m 2 feitos totalmente de plástico-filme descartado por uma empresa automotiva. “Ficou lindo! Mas ficamos chocados com o volume de produção de plástico em pouco tempo. Acabou que compartilhamos com alguns colegas e amigos e percebemos que a própria instalação em si contribuiu como uma forma de chamar a atenção para a questão. A meta é seguir com alguns projetos nesse contexto. Pois nós, brasileiros, precisamos consumir menos plástico e consumir mais cultura. Esse é o futuro que quero crer possível. Não somente para o crescimento da minha empresa, mas também para o crescimento do cidadão brasileiro”, finaliza.

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