Especial Business: João Lopes Araujo



Nascido em uma pequena cidade do interior, João Lopes Araujo resolveu ser padre. No seminário, logo descobriu que não era aquela a sua vocação. Trabalhou em um banco para custear os seus estudos e cursou Contabilidade. Decidiu ser exportador de sisal, produto da sua região, e foi descobrindo ser realmente um self made man. Para ampliar as suas ações no exterior, estudou inglês e francês, idiomas que hoje fala fluentemente.


Passou da exportação de sisal a ser sócio de uma indústria de fios do produto, companhia que viria a se tornar uma das maiores do mundo. Com a ambição pelo crescimento da atividade, começou a viajar, descobrindo o potencial da concorrência e conquistando novos clientes ao redor do mundo. Conhece 122 países.


Defensor do associativismo, ele filiou-se à Associação Comercial da Bahia (ACB) em 1975 e até hoje participa do seu quadro diretivo. Sendo fazendeiro há muito tempo, como atividade paralela, há 44 anos passou a ser produtor de café, dedicando-se à produção de grãos especiais. Em 2005, liderou a realização da 11ª Conferência Mundial do Café, em Salvador.


Pelas dificuldades que enfrentavam os produtores da Bahia, resolveu liderar a fundação de uma entidade de classe específica, e assim nasceu a Associação dos Produtores de Café da Bahia (ASSOCA - FÉ), com recém-completados 25 anos de atividade e da qual João é, novamente, presidente.


Sobre fundar a Associação, João destaca que foi após vivenciar dificuldades no ramo. “A Bahia, que já produzia café há cerca de 200 anos, nunca teve uma estrutura de apoio no Governo Estadual. Nos anos 1970, o antigo Instituto Brasileiro do Café (IBC) escolheu a Bahia como o Estado apto à ampliação da cafeicultura. Em 1990, o presidente Fernando Collor extinguiu, por decisão própria, o IBC. Ficamos órfãos. A ideia de fundar a ASSOCAFÉ era mobilizar o apoio ao produtor. Obtivemos muito sucesso”, pontua.


A Associação se destaca nacionalmente e já realizou vários eventos denominados Agrocafé, trazendo ao Estado lideranças políticas e empresariais da atividade cafeeira.


Para Lopes, a realização de concursos de qualidade de cafés da Bahia abriu aos pequenos produtores a possibilidade de agregar valor ao seu produto e, com isso, o Estado passou a ser conhecido mundialmente como produtor de cafés especiais.


Em defesa das suas atividades e dos seus parceiros, ele passou a participar do Conselho Estadual do Meio Ambiente (CEPRAM) e do Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CONERH), de grande importância para o crescimento do agronegócio da Bahia. Participou durante vários anos da diretoria da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (AIBA), fortíssima entidade de classe sediada em Barreiras e com atuação por todo o Estado. Participa também do Conselho de Sustentabilidade da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB).


Essas atividades transformaram João em um dos líderes no Estado na defesa da concessão de outorga para o uso de água e de licenças para a supressão vegetal, necessárias para a ampliação de áreas, dentro da legislação.


“A Bahia tem no oeste um potencial imenso de crescimento, pela disponibilidade de grandes áreas e uma combinação de terrenos planos mecanizáveis, muitos dias por ano de insolação e água abundante, o que é um tesouro. Temos vários rios perenes e um aquífero, o Urucuia, com água subterrânea em praticamente todo o nosso território”, explica.


No entanto, ele pontua que há alguns anos o setor cafeeiro tem passado por problemas climáticos no Semiárido, com clara redução do índice pluviométrico, necessário para a produção de café. Agravada a dificuldade hídrica em 2017 e 2018, com o que classifica de “extrema complicação política na gestão do país”, e o declínio do preço do café, ele avalia que essa foi uma das maiores crises para a cafeicultura. “O preço praticado no mercado é o menor dos últimos sete anos, não cobrindo o custo de produção. Vários produtores saíram da atividade”, relata.


Mas João não deixa o otimismo de lado. “A atividade cafeeira tem um horizonte muito promissor. O café não tem substituto e o consumo mundial cresce 2,5% ao ano. Agora, com a promissora ampliação do consumo de cafés especiais, com o café expresso, cápsulas e sachês, o segmento chega a crescer 15% ao ano. A perspectiva é de rápida recuperação em um futuro próximo”, afirma.



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