D. Ana e o Bella Napoli: tradições ítalo-baianas

O Restaurante Bella Napoli vem dando certo desde 1962. E que passe para a próxima página o soteropolitano que aprecia uma boa comida e nunca experimentou o clássico Filé à Parmegiana do Bella Napoli


Por Marília Simões


Para que essa receita se mantenha até hoje, muita história aconteceu. Com 82 anos bem vividos e sempre bem servindo, D. Ana, a italiana de sotaque forte mesmo depois de 70 anos vivendo na Bahia, é dona de uma memória surpreendente e um carinho imenso pela nossa terra.


Em 1º de dezembro de 1950, a ragazza Ana Sciarretta Angelino, aos 13 anos, desembarcou na Bahia, vinda da Itália com a sua família. Foram para o município de Itiruçu, a 330 km de Salvador, para uma colônia agrícola italiana. Naturais de Pescara, uma província da região dos Abruzos, banhada pelo Mar Adriático, trocaram a cidade à beira-mar para plantar verduras no interior baiano, recebendo terras e casa. “As famílias vinham ‘a convite’ do governador da época, Octávio Mangabeira, porque a Bahia ainda não tinha o domínio de técnicas agrícolas”, explica Ana Angelino.


Depois de 12 anos, a agricultura não estava dando retorno e eles resolveram arriscar a vida na capital. Chegaram a Salvador, em 6/9/62, decididos a abrir um ristorante. Alugaram uma casa em São Bento, no centro da cidade, e fundaram o Bella Napoli. Apesar de não serem de Nápoles, naquela época, a cidade era a referência da Itália, por isso, então, a escolha do nome. A mãe, ela e as duas irmãs cozinhavam, o irmão atendia no salão e o pai administrava o negócio. Quatro anos depois, o local já havia ampliado a sua capacidade para 80 lugares. D. Ana sempre foi o braço direito da mãe na cozinha e a única filha que permaneceu no restaurante.


Empresa sabor família


Em uma viagem para a Itália, em 1968, D. Ana conheceu Paulo Angelino. Apaixonaram-se, ele veio para Salvador com ela e se casaram. Em 1971, compraram o estabelecimento de Sr. Francesco Sciarretta, pai de Ana, que se aposentava.


Em 1996, abriram o restaurante do Caminho das Árvores. A matriz continuou a funcionar até meados da primeira década dos anos 2000 e fechou. Eles optaram por abrir franquias e logo as encerraram, por não considerarem o retorno positivo. Principalmente, em relação à manutenção do padrão de qualidade dos seus produtos, o que é regra na casa.


“A utilização de alimentos de primeira qualidade, a produção artesanal e a responsabilidade com os nossos clientes são os segredos de sermos, com muita honra, um dos restaurantes mais antigos e reconhecidos da cidade”, orgulha-se D. Ana.

A tradição do Bella Napoli começa na cozinha. “Eu nunca tive um chef. Nossas receitas são as mesmas do cardápio original. Fico atenta a tudo. E me atualizo sempre, porque quem para está perdido!”, explica a dona da cozinha. D. Ana ficava à frente da sua cozinha cerca de 17 horas por dia. Hoje, o ritmo diminuiu, claro! Seu filho, Gian Francesco Angelino, é quem está à frente da administração.


RECEITA


- D. Ana, e a receita do famoso filé à parmegiana?

- Ah, minha filha, é simples. A carne tem de ser filé de primeira. Fatias finas passadas nos ovos e na farinha de rosca para empanar e fritar na frigideira com óleo. A mozzarella é gratinada por cima. Depois, regamos com o molho de tomate fresco, que preparamos litros, todos os dias, e servimos o prato acompanhado de batatinhas fritas em rodelas e tomates frescos em gomos.

- Olhe... um vinho tinto, mais para o seco, harmoniza bem com o prato. Mas não sei qual, porque eu não tomo vinho.


D. Ana é a “nossa” italiana que não toma vinho, mas tomou os corações dos baianos que apreciam uma boa culinária. Mancha de filé à parmegiana não sai!


Av. Professor Magalhaes Neto, 1856, sala 603, Caminho das Árvores, Salvador Bahia.

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