Claudia Giudice: mãe, eu vejo flores em você!


Claudia Giudice é colunista e conselheira da Let's Go Bahia

Claudia Giudice

Colunista e Conselheira da Let's Go Bahia


Sou otimista. Nasci no Dia dos Mortos e adoro viver. Acho que esse paradoxo me ensinou a procurar sempre o lado B, de bom, da vida. Estou fazendo isso exaustivamente agora. Desde o dia 1º de julho, entrei em um túnel, longo, comprido, às vezes, sufocante, que leva a diferentes salas de espera de um hospital. Por uma irônica coincidência, meus pais descobriram estar com câncer quase que no mesmo dia. O do meu pai é chato, mas de fácil solução. Logo, ele estará livre do túnel dele. Já o da minha mãe é bem mais complicado e, portanto, sofrido. Comprido.


Meu pai e eu estaremos juntos no túnel dela. Sim, eu sei, este assunto é chato para caramba! Ninguém gosta de falar dessa doença silenciosa e assassina. Desculpem-me. Vou incomodá-los porque descobri que é nessas horas que palavras como resiliência, propósito, paciência, foco, recomeço ou planejamento adquirem real sentido. Nessas horas, o blablabá é posto à prova. O abstrato se torna concreto e pode ser testado de verdade.


São nesses momentos limítrofes que se entende por que o amor é o sentimento que nos torna diferentes das plantas e dos animais. Foi dentro desse túnel cinzento e frio (estou em São Paulo e este ano o inverno está fazendo jus à fama) que descobri na pele, no estômago e no fígado o amor. O amor que existe no cuidado. O amor que vive na empatia. O amor que faz a gente ter medo da morte do outro. Conheci também o amor da solidariedade advinda da dor, que dói, de verdade, no outro, mas que reflete, também, na angústia que sentimos pela impossibilidade de agir, resolver e curar.


Esta edição da Let's Go tem um propósito e uma lógica. É a quinta desde que a marca renasceu. Nestas páginas, já falamos de foco, amor e recomeço. Neste número, era o momento de filosofar sobre como, depois de todo esse esforço, é chegada a hora de ver o nosso jardim florescer. Os jardins florescem na primavera, depois do trabalho e da dedicação de quem semeia e cuida. O florescer é o momento na vida de quem cria, produz e empreende.


É aquela hora em que a gente se senta em um canto distante para, sozinho, observar e namorar a própria obra. Vale para um negócio (sempre faço isso na minha Pousada A Capela, e todas as vezes que a olho me pergunto como eu e minha sócia, Nil Pereira, conseguimos), vale para um trabalho, vale para um filho. É um prazer ver como aquilo que era sonho brotou, cresceu e se tornou realidade.


Olhando pela lente do amor, a que descobri nos últimos 50 dias, tenho certeza de que meu jardim estará florido do outro lado do túnel. Não importa o que vai acontecer. Não importa como vai acontecer. Sempre que minha mãe arregala os seus olhos castanhos, cheia de medo, e pergunta o que vai acontecer, respondo-lhe com calma e otimismo que tudo vai dar certo. Nem sempre a minha certeza é absoluta, mas o desejo é.


- Vai dar certo, mãe, eu vejo flores em você!

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