Artigo: Tudo junto e misturado


Fernando Barros

Propeg Comunicação


Lá pelos idos de 1969, foi clicado o primeiro e-mail. Instalava-se ali a rede de satélites que, operando em série, virava a comunicação de cabeça para cima e para baixo ao redor da Terra. A princípio era arte de guerra, de mobilização das tropas. De conversas entre chefes de Forças Armadas e presidentes. E, com rapidez estonteante, partidos e políticos de todo o mundo descobriram que nascia um espetacular meio de mídia, uma novíssima mídia: capaz de fazer as palavras e as disputas atravessarem oceanos e montanhas em frações de segundos.


E nada mais parou, e ninguém conseguiu deter a força da velha internet, agora com múltiplos usos, além, é claro, de conquistar votos e triturar reputações. Durante muito tempo a verdade parecia residir na audácia dos batuqueiros de teclas, não havia fronteiras para invencionices e boatos. Antes que os impressos e mídias tradicionais desmentissem, novas mentiras e lendas já estavam nas ruas.


As chamadas redes sociais são a nova denominação de tudo que sobe e desce nas disputas eleitorais. Aliás, os satélites são carregados 24 horas com luxo e lixo. O poder de políticos e partidos é medido por seguidores-fãs e engajamentos. A simbiose parecia não ter fim. Quem nada tinha de percepção começava a emitir mensagens pelas mais variadas plataformas, e a audiência acabava chegando. Pessoas de talento duvidoso travestiram-se quase por milagre em poderosos “influencers”, arrebanhando milhares de seguidores, não raro se tornando vitoriosos candidatos a cargos públicos eletivos.


Surgiu uma casta de marketeiros digitais, profissionais adestrados como estrategistas de novas mídias. Gênios capazes de reverter prováveis derrotas acachapantes em vitórias reluzentes. Contudo, os ventos sopraram e o gigantismo que fez da internet uma força transformadora apresentou sinais de fragilidade. Fraturas expostas vêm derrubando a credibilidade dos meios digitais: o crescimento das fakes news, a falsa audiência e a militância de robôs.


Políticos e partidos investiam e jactavam-se de serem “proprietários" de milhares de seguidores, tinham suas redes particulares e as manejavam para onde quisessem.

Tudo algoritmizado. As audiências agora são buscadas na corda. Textos customizados. Quem gosta de animais receberá mensagens sobre o tema, quem gosta de Medicina saberá sobre remédios e doenças; e assim é, para o bem e para o mal.


A política e internet seguiam um inexorável caminho planetário. Um vivendo do outro. Um vivendo dentro do outro. Mas a tão discutida queda de confiança do meio abalou o ambiente digital. Pesquisas surgem a cada dia, questionando quem podia tudo, dizia o que queria, fake ou não fake, depreocupadamente. Um movimento mundial exige a verdade como primeira prestação. Inquéritos são abertos, discutem-se penalidades severas para quem exibe ou escreve o que não prova.


Hoje, as redes sociais já não se sustentam sozinhas. Mantêm-se à frente graças à sua vertiginosa velocidade, mas aqui e ali se apoiam nos tradicionais meios para receber transfusões de credibilidade. As redes geram e os antigos veículos de comunicação agora ja matriculados no online repercutem. Ou vice-versa.


Streamings e as mais importantes plataformas, pasmem, anunciam, se promovem nas “velhas” mídias, até outro dia, condenadas à morte.


Assim, a comunicação política e não política tem de ser repensada, remixada, combinando os mais variados tipos de meios. O velho novo mundo é esse. Nada deve ser esquecido, muito memos a criatividade.

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