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Ambientes “instagramáveis” são a nova tendência da decoração moderna

Por: Matheus Pastori de Araujo


Há pouco mais de duas décadas, uma jovem que saísse às ruas com um casaco de couro, um decote um pouco mais ousado, um cabelo vermelho, óculos de contornos exóticos, calça justa e um tênis seria rigorosa e imediatamente taxada com os mais duros termos, dada como mau exemplo para as meninas de família e tratada como tal pela sociedade. Seja pelos colegas de faculdade, de trabalho ou, não raro, pelos próprios pais e figuras mais próximas.


Isto porque nos últimos 25 anos o mundo mudou mais do que em um século inteiro, como já dissemos aqui na Let’s Go Bahia.


Com praticamente tudo resignificado, se, antes, as nossas roupas deviam nos deixar austeros e respeitáveis, hoje, elas devem nos fazer midiáticos, “instagramáveis”. Em uma época em que praticamente tudo é imagético, a moça que descrevemos no primeiro parágrafo seria, muito provavelmente, uma digital influencer. Atriz, modelo, dançarina, DJ, estilista, fotógrafa, jornalista ou, simplesmente, estilosa. Quem dera que essa fashionista avant-garde pudesse dar uma olhadinha aqui, no futuro.


Ora, é o conjunto da obra que vai para o famoso feed – não sabe o que é isso? Pois tratamos de te atualizar: feed, no mundo virtual, particularmente no Instagram, é o conjunto de fotos e vídeos postados por alguém. A área nobre de todo perfil. Esses posts podem ser harmônicos, seguir um estilo ou não. Pode parecer simples, até supérfluo, mas é algo levado tão a sério que já faz parte de muitas das disciplinas de quem estuda Comunicação. Afinal, não é fácil saber como se destacar entre os mais de 60 milhões de brasileiros somente naquela rede social, de acordo com dados recentes da agência eMarketer.


“A disposição do feed das organizações e de figuras públicas tem sido muito analisada por pesquisadores e estudantes de Comunicação, o que implica em uma nova composição de conteúdos imagéticos e textuais. O mundo físico, ou off-line, tem se misturado ao mundo digital, ou on-line, apresentando o que chamamos de all-line. Essa reorganização permitiu às empresas desenvolverem os ambientes “instagramáveis”. A atmosfera criada é muito importante para a repercussão da marca, pois, apesar de desenvolver uma estrutura que é compartilhada com todos os seus consumidores e usuários, permite a cada indivíduo apresentar a singularidade do seu olhar através do seu repertório”, diz Milene Moura, pesquisadora de Cultura Digital e líder de Qualidade Nacional da Rede Laureate Universities.


O mundo dos arquitetos e designers de interiores também foi diretamente afetado pela cultura do Instagram. A estética de móveis, ambientes e construções inteiras está sendo repensada para atender a esse apelo a mais que exigem as câmeras dos smartphones. Hoje, para quem vende, não basta apenas que você queira algo. É preciso que haja o desejo de que aquilo seja registrado e orgulhosamente compartilhado com o mundo. Seja pela cor, pelo desenho, por representar uma causa ou ideologia, nunca foi tão importante “saltar aos olhos”.


“É uma tendência que tomou conta e que tem uma particularidade: a demanda vem totalmente dos clientes, requerendo essa estética aplicada em fundos, composições, paredes, ambientações. Tornar um ambiente “instagramável” faz com que a arquitetura seja um marketing do cliente. Um ambiente “instagramável” precisa ser único. Cores, texturas, frases, espelhos e iluminações compõem motivos que fazem as clínicas e os escritórios serem identificados imediatamente, geram curiosidade e interesse por si, como cenário e ambientação”, comenta Caroline Gaspar, integrante da GW Arquitetos.


Capa desta Let’s Go Bahia no fim do ano passado, até mesmo a primeira santa brasileira deu um jeitinho de se fazer presente nessa tendência aqui da Terra. Basta visitar as Obras Sociais da nossa Irmã Dulce, ir até o café, e lá ela estará para uma bênção e uma foto com você. Defronte de uma parede cuidadosamente decorada com plantas de tom verde forte, uma imagem de bronze da Santa Dulce dos Pobres observa, sentada em um banco, o movimento do lugar. São incontáveis os registros já feitos por quem passa por ali.


O Papa Francisco, que canonizou a religiosa baiana, não deixa de ter o seu perfil oficial no Instagram atualizado diariamente; é o primeiro pontífice a manter tal comunicação, tão próxima de seus fiéis. Seis milhões de pessoas seguem o Santo Padre por lá. Já a conta da Família Real de Elisabeth II soma mais de sete milhões de seguidores, compartilhando detalhes da rotina da realeza. São tradições e instituições milenares se rendendo a algo que se sobrepõe a tudo isso. O tempo.