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A importância do cuidado na hora de dar as más notícias

Por: Brenda Sales


A Medicina Humanizada é uma tendência mundial e, ao mesmo tempo, um desafio para diversos países. O conceito engloba todo o processo de atendimento, de maneira eficaz e resolutiva, com o respeito em todas as etapas do tratamento, desde o local em que a assistência é prestada, passando por toda a equipe envolvida, até a etapa de pós-tratamento.


Pablo Blasco, diretor científico da Sociedade Brasileira de Medicina de Família, traz em seu artigo “O Humanismo Médico” o pensamento de Sir Theodore Fox ao afirmar que: “O paciente está mais seguro com um médico sábio do que com um médico treinado artificialmente”, e continua: “Conhecer a pessoa que tem a doença é pelo menos tão importante quanto conhecer a doença que aquela pessoa tem”.


No Brasil, em 2003, foi criada a Política Nacional de Humanização, com o objetivo de proporcionar a gestores, trabalhadores e usuários um atendimento mais humanizado no SUS. Por outro lado, sabe-se que uma das dificuldades ainda persistentes para os profissionais de saúde é a comunicação das chamadas “notícias ruins”, como o caso de processos terminais. Esse é um dos importantes momentos em que o médico precisa propiciar a redução do estresse aos pacientes, às famílias e aos próprios especialistas.


A série “The Good Doctor”, em um dos seus episódios, mostra o protagonista Shaun Murphy, um médico excelente e com autismo, em toda a sua dificuldade ao receber a notícia de que o seu grande amigo e mentor está com um câncer terminal e, por isso, provavelmente terá poucos meses de vida. A produção foi muito sensível ao evidenciar que a forma como cada personagem descobre a enfermidade pode ser diferente, mas o espectador entende que a revelação é sempre dolorosa.


Tamiris Freitas Quadros, terapeuta ocupacional e idealizadora do Núcleo Terapêutico CRER-SER, diz que dar más notícias é sempre desafiador para um profissional, tendo ele um vínculo prévio com o paciente ou não. É preciso levar em consideração não apenas o indivíduo, mas a sua história e o contexto em que aquela informação será inserida. “Nós damos a má notícia de uma forma respeitosa, com um vocabulário acessível, explicando os termos técnicos que utilizamos, quando necessário, e sempre mostrando-nos disponíveis para mais esclarecimentos”, explica.


O cuidado paliativo é justamente uma das abordagens utilizadas para aumentar a qualidade de vida nesses momentos. O conceito de cuidado paliativo foi ressignificado, em 2002, pela OMS como sendo “a abordagem que promove a qualidade de vida de pacientes e seus familiares diante de doenças que ameaçam a continuidade da vida, através de prevenção e alívio do sofrimento”. Tamiris afirma que essa alternativa costuma auxiliar o direcionamento das condutas mais adequadas que devem ser disponibilizadas para cada pessoa.


Já o livro “Cuidado Paliativo”, do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, diz que à medida que a doença progride e surge a fase em que a incurabilidade se torna uma realidade, os cuidados paliativos buscam prevenir uma morte caótica e com grande sofrimento.


Assim sendo, é possível receber o tratamento paliativo estando hospitalizado ou em internação domiciliar. Claudia Pedrosa, CEO da empresa Bom Cuidar, afirma que a equipe multidisciplinar tem um papel fundamental para a reabilitação e a estabilização da saúde física e mental de quem está sendo cuidado no hospital ou em casa. “O cuidador tem um papel importante nesse processo de acolhimento e, com as devidas orientações dos profissionais multidisciplinares, zela pelo bem-estar e promove a autonomia do paciente com estímulos, audição e participação no seu dia a dia”, esclarece Claudia.


No entanto, as ações paliativas não são um desejo de postergar a morte, elas são sempre ativas e reabilitadoras, dentro de um limite no qual se considera que nenhum tratamento pode significar mais desconforto ao doente do que a sua própria doença. O interessante é que, além de oferecer um sistema de suporte que auxilie o paciente a viver tão ativamente quanto possível, o cuidado paliativo integra aspectos psicossociais e até mesmo espirituais ao tratamento. O importante é fazer com que o cuidado seja o mais humano possível, confortando os enfermos para enfrentarem as suas dificuldades.