A etiqueta no território da fé





Por: Maria Medeiros


A fé se desenvolve no campo da subjetividade e depende da percepção de cada um. E as percepções variam, não somente porque somos indivíduos cultural ou socioeconomicamente distintos, mas porque também somos emocionalmente singulares. A nossa bagagem emocional é construída a partir das vivências individuais, mas também das coletivas das quais participamos ou com as quais tivemos contato. Essa “memória” interfere em nossas decisões no campo da fé. Ter fé é assumir uma crença, sem que seja necessário comprovar racionalmente a existência ou a credibilidade do objeto ou ser no qual se acredita. Portanto, ela é fruto de uma escolha pessoal.


Assim, não procede dizer que quem tem fé pertence a determinado grupo religioso, econômico ou étnico. A fé não é prerrogativa de religiosos, ricos, pobres, pretos, brancos, brasileiros, chineses, inteligentes ou intelectualmente medíocres. A fé caminha ao lado da emoção, que é inerente à qualidade humana do ser. Sim, somos seres essencialmente emocionais! Desconheço alguém, por mais racional que seja, que não tenha derramado lágrimas, explodido de raiva ou tenha sucumbido a uma paixão amorosa. A fé é uma composição de crença e emoção. Tudo junto e bem misturado!


E no campo da etiqueta, existem regras quando o assunto é fé? Sim. A etiqueta, entendida como pequena ética ou ética do dia a dia, tem como pilares o respeito e a consideração pelo outro. A etiqueta preceitua que o meu direito se estende até o limite da manutenção do convívio social harmonioso. Sábio é ter o conhecimento e domínio teórico e prático das regras de etiqueta, mas, em vez de aplicá-las de modo irrestrito, melhor é priorizar o bom senso. Em outras palavras: se respeitadas as escolhas de cada um, as pessoas de diferentes credos podem, sim, conviver sem conflitos.


A ética é racional, a fé, subjetiva. A ética pressupõe um diálogo entre o bem individual e o bem comum; reforça igualmente a nossa parcela de responsabilidade na execução do projeto de um mundo mais equânime, tolerante, plural e, acima de tudo, respeitoso. A fé pode não curar como a ciência, mas enxuga as lágrimas, afaga e alimenta a esperança. E há que entender que a fé cresce quando a ciência apresenta seus limites.


No mundo contemporâneo, o maior desafio que a etiqueta ou “pequena ética” enfrenta é a permissividade. As fronteiras entre o que posso e não posso fazer são muito tênues. Nesse contexto, ensinar valores éticos é imprescindível para fortalecer o diálogo entre o bem comum e o individual, reiterando, assim, o respeito à soberania de cada pessoa em realizar sua escolha no campo da fé.

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