“A comunicação sempre foi o alicerce da humanidade”

Por: Sergio Gordilho


Há mais de duas décadas, dedico-me à indústria da comunicação, na qual os ventos das mudanças soprados pela revolução digital criaram um tsunami que atingiu aquele mar calmo igual ao da Praia da Ribeira, deixando para muitos um rastro de dúvidas e inquietudes sobre o seu futuro.


Profetiza-se que a rede digital rasgou a nossa rede física “à la Caymmi”, encerrando a nossa zona de conforto. Mas o que esquecem é que fomos criados em um país onde até o passado é imprevisível, ou seja, o desconforto sempre foi a nossa zona de conforto. Estamos entrando em uma nova década. E, por ser nova, merece a nossa reflexão.


A comunicação sempre foi o alicerce da humanidade. Segundo o historiador israelense Yuval Harari, “o poder dos homens não é determinado pelo indivíduo, mas por uma coletividade, pois os seres humanos sozinhos são criaturas fracas”.


Conseguimos dominar o mundo porque, teoricamente, interagimos melhor, nos conectamos melhor, nos comunicamos melhor do que qualquer outro “ser vivo” do planeta. A comunicação foi o “Super Bonder” que transformou o indivíduo em coletivo, humanos em humanidade; e que transformou uma espécie frágil em dominadores. E é aí que entra a minha indústria. É aí que também se encontra o futuro dela.


Temos um ferramental tecnológico extraordinário perante todos nós, como nunca antes visto na história da humanidade, mas do que adianta aquela caixinha democrática do Google esperando te dar respostas se você não souber fazer as perguntas? As ferramentas são novas, mas a lógica por trás delas não. Quem não sabe se comunicar continuará se trumbicando. Por mais que o mundo mude, e o mindset dele é esse mesmo, o conteúdo das nossas conversas será sempre o mesmo.


Quem tem boca vai continuar indo a Roma. Só que de outra forma e em outra velocidade, agora empoderado por VR, AI, ML e outras tecnologias que estão neste momento sendo construídas na Califórnia, em Israel ou Recife. O desafio é grande, mas a oportunidade também é.


O futuro continuará a chegar igual a um bebê recém-nascido, desdentado, careca e muitas vezes com cara de joelho. Mas é a experiência que nos permite intuir que ele irá se transformar e se tornar aquela bela criança que tanto sonhamos.


A melhor maneira de prever o futuro continua sendo criando-o. Mas, para isso, você precisa de repertório. Pois não se cria nada a partir do nada. O repertório vem da experiência e a experiência, da nossa história, cultura e tradição. A experiência vem do nosso percurso.


Experimente perguntar para algum desses novos devices baseados em machine learning como o Alexa, o Siri ou o Google Assistente: como será o futuro? Eu experimentei e já antecipo que a sua resposta será decepcionante, para uma tecnologia que sempre foi profetizada como sendo a materialização do futuro. Ironicamente, quem foi já proclamado como sendo o futuro não consegue descrevê-lo.


Por mais tecnologia quântica, gigabytes e algoritmos que imputemos nessas maravilhosas máquinas, nada se compara à também maravilhosa possibilidade de viver uma vida vivida. Chego à óbvia conclusão que não se chega ao futuro sem o passado, sem a cultura, sem a história. E que o futuro continuará a se pautar na nossa capacidade de comunicar, só que agora vitaminada pela velocidade e por novos meios. Foi isso que nos trouxe até aqui, é isso que nos levará adiante.


Por isso, a nossa indústria continuará forte e plena nas próximas décadas, não tenho dúvidas. Então, a pergunta que se cabe fazer não é como será o futuro e sim como chegar a ele. Não é sobre o destino e sim sobre o caminho, pois informação se compra e experiência se adquire. E a experiência é o visto para esse “novo velho mundo” que se abre. Vivemos buscando respostas quando deveríamos nos concentrar em buscar mais perguntas. E buscando, vamos vivendo.


Vamos viver mais e, por isso, vamos nos confrontar com novos problemas e novas perguntas. Andaremos rumo ao futuro de mãos dadas com o nosso passado. Em Mumbai, na casa onde Gandhi viveu por algumas décadas, há uma frase que muito diz sobre isso: “A sua história é a sua mensagem”. Então, qual mensagem você vai enviar para o mundo, se não respeitar a sua história?


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